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Jogadores e a falta de identificação com os times. Quais os motivos?

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Por Caio Henrique

Uma das maiores reclamações que se tem hoje no futebol de várzea é a de que os jogadores já não se identificam mais com os times nos quais eles estão jogando. E quais são os principais motivos que confirmam essa ideia?

O amor é um elemento muito importante no futebol e que, na verdade, move o esporte. O torcedor fica feliz quando se sente representado dentro de campo por jogadores que entendem a história do clube, se dedica e joga com paixão. Mas em contrapartida, os mesmos torcedores não conseguem aceitar quando esse mesmo jogador troca seu clube por outro e, principalmente, por um rival, mas no futebol globalizado de hoje é muito difícil não acontecer as trocas.

Há alguns anos, a principal característica do futebol amador era manter a sua comunidade unida, desde os torcedores até aos jogadores que, na grande maioria das vezes, jogavam nos times dos seus bairros. Claro, estamos falando de um período onde a internet não existia, não tínhamos informações sobre times de outras regiões.

Até tinham jogadores que conheciam alguns times dos bairros próximos, por exemplo, quem morava na zona leste de São Paulo conhecia e poderia até jogar em mais de um time que era localizado ali próximo, mas dificilmente essa mesma pessoa conhecia e sequer pensaria em atuar em um time da zona norte da capital.

Vivemos atualmente um período em que as redes sociais são os grandes meios de integração social e isso faz com que todos tenham acesso a todos os clubes. Facilmente um morador da zona sul conhece os times e os campeonatos da zona Oeste e vice-versa. Então, os jogadores sabem quem são os times que estão em melhores fases, os diretores tem acesso a todos os jogadores de diferentes lugares, até mesmo fora de São Paulo.

A cada dia que passa fica mais natural e evidente a dificuldade de manter o mesmo jogador no time por muito tempo. Se uma ótima revelação se destaca em uma competição, certamente todos saberão quem ele é e automaticamente as propostas chegarão. O dinheiro também é um fator que ajuda a dificultar a identificação. Por mais que em algumas vezes, torcedores se chatearão, é inevitável que propostas financeiras boas cheguem a quem está se destacando.

É utopia pensar que veremos um time permanecer com a mesma base de jogadores por mais de três ou quatro anos sem que tenha uma ajuda financeira grande ao ponto desses mesmos jogadores recusarem propostas que certamente vão vir. Hoje os times não são montados para um ou dois anos e sim para um campeonato. Temos casos de que o mesmo time, no mesmo ano monta duas equipes completamente diferentes em dois campeonatos.

O grande número de competições também prejudica a manutenção de jogadores na mesma equipe. Não estou falando que é ruim ter muitos campeonatos, muito pelo contrário. Mas as vezes se o jogador tem um melhor “contrato” com outro time que está jogando uma partida no mesmo horário que a outra na qual ele também firmou um acordo, é provável que ele escolherá a de melhor acordo para ele, seja financeiro ou status pelo tamanho e prestigio da copa.

Por fim, chegamos à conclusão de que a tendência é diminuir cada vez mais o número de jogadores identificados com os clubes e as torcidas no futebol de várzea. O que não impede em nada esses jogadores marcarem seus nomes na história dos times com gols, boas atuações e títulos nos períodos em que eles ficarem por lá.

E para vocês, quais as causas da falta de identidade? Acreditam que isso pode ser revertido?

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